Inco Investimentos Coletivos

O que é crowdfunding?

Crowdfunding - 06 de junho de 2018

O financiamento coletivo, ou crowdfunding, é uma nova forma de financiamento de projetos disponível pelo avanço das tecnologias de comunicação sobretudo a internet. Essa forma de financiamento consiste em um investimento coletivo, em que o investidor deixa de ser um único elemento e se torna um grupo de pessoas. Assim, pequenos investidores se unem para formar um grande jogador.

O crowdfunding conhece uma divisão fundamental entre: o não-financeiro ou social e o financeiro ou de investimento, também designado por crowdinvesting. O crowdfunding social corresponde ao apelo público destinado à obtenção de recursos sob a forma de doação ou em troca de alguma forma de recompensa de caráter não financeiro. Por sua vez, o crowdfunding de investimento corresponde ao apelo público destinado à obtenção de qualquer tipo de recursos em troca de juros, lucros, dividendos e/ou participações sociais, isto é, recompensas que direta ou indiretamente assumem caráter financeiro.

Esse modelo, por comparação com as tradicionais formas de financiamento, é mais rápido e flexível, de custos reduzidos e de fácil divulgação e do teste dos projetos ou atividades desenvolvidas pelos beneficiários do financiamento diretamente junto do público. O processo, no entanto, à semelhança das formas tradicionais de financiamento, não está isento de riscos. A perda dos capitais investidos, a possibilidade de branqueamento de capitais, as situações de conflito de interesses entre plataformas e investidores, a descontinuação dos serviços das plataformas e as fraudes, entre outros, são alguns dos principais riscos.

As motivações do financiamento coletivo são diferentes se vistos sob a ótica do investidor ou do captador. Para o captador, os principais motivos são:

· Vontade de se levantar fundos;

· Divulgar o trabalho, aumentar percepção da empresa;

· Conectar com comunidade;

· Ganhar aprovação;

· Manter o controle;

· Aprender com a comunidade.

Já para o investidor, os principais motivos de se usar uma plataforma de investimento coletivo seriam:

· Desejo de se obter rentabilidade;

· Ajudar outros;

· Apoiar causas que importam;

· Participar de uma comunidade.

Os principais fatores desmotivadores para o uso do modelo são: para os captadores, o medo do fracasso e, para os investidores, a falta de confiança.

O sentimento de ser patrono, isto é, ser o responsável pelo sucesso de outros é um dos principais motivadores para os usuários de plataformas crowdfunding.Além deste, o desejo de participar de uma comunidade e o desejo de receber retornos financeiros são outros motivadores importantes. É importante salientar a noção de comunidade, do coletivo nesses motivadores, uma vez que, anteriormente, as motivações de investimentos financeiros eram pessoais, nunca passando pela ideia de grupo. Além disso, o crowdfunding é uma ferramenta que confirma a crescente dificuldade dos mercados em se separar a produção do consumo, uma vez que o investidor atua ativamente no valor do produto final e no sucesso do empreendimento.

Isso pode ficar mais claro ao analisar os diversos tipos de participantes que o crowdfunding pode criar. Muitas vezes, os usuários das plataformas se tornam sócios dos projetos, contribuindo ativamente no crescimento do projeto. Outras vezes, o seu papel é mais de um doador, ajudando ativamente a fazer um projeto sair do papel. Além dessas, o usuário pode se tornar um agente promotor do projeto, ajudando a divulga-lo e defendendo-o como se fosse um projeto próprio. Sem a participação ativa do usuário, nenhum valor pode ser criado em uma plataforma de investimento coletivo. As plataformas crowdfunding são, portanto, ferramentas inovadoras daquilo que se chama economia compartilhada e da co-criação de valor em empresas. As plataformas em si não criam valor, e sim oferecem propostas de valor para os usuários e empresas.

Com o acesso de mais de 85% da população a um celular e à internet, cabe aos líderes empresariais e políticos o desenvolvimento de plataformas que quebrem as barreiras de desconfiança entre usuários e empresas, a fim de que o financiamento de projetos possa ser impulsionado. Além disso, há uma gigantesca janela de oportunidades nos países emergentes para o desenvolvimento de plataformas de investimento coletivo, uma vez que esses países possuem muitos projetos a ainda serem feitos e uma grande dificuldade de financiar recursos. Assim, se o ambiente do mercado desses países atingir um patamar de desenvolvimento tecnológico compatível com as plataformas, além de se ter um ambiente jurídico e de confiança mercadológica apropriados, o desenvolvimento de comunidades de investimento pode ser imensamente produtivo para o avanço desses países.

No Brasil, tais condições já podem ser encontradas. O país é tecnologicamente preparado para a expansão desse tipo de plataforma e, além disso, a instrução nº 588 da CVM foi aprovada no ano de 2017, regulando a atuação de plataformas de investimento coletivo. Com isso, a segurança jurídica para empresas e para os usuários foi desenvolvida, amadurecendo o mercado e abrindo possibilidades de investimentos incalculáveis.