Por: Mário Pereira

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Os melhores (e piores) investimentos do mês de agosto

Existe um ditado popular que diz que “agosto é o mês do desgosto”. Não sei bem de onde surgiu essa teoria. Em uma breve pesquisa (sem nenhum rigor com a fonte), descobri que esta percepção foi trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses. Ao nosso leitor mais curioso, fica a dica de pesquisa para a semana, mas…

O que isso tem a ver com os meus investimentos?

O último mês foi de certa apreensão (e desgosto) para os investidores em renda variável, uma vez que o Ibovespa fechou o mês em queda de 0,67%. Foi o pior desempenho do mês, quando comparado as aplicações mais conhecidas do investidor.

Dólar em forte alta com 8,45%, seguido pelo CDI de 0,48% e a poupança com 0,37%. A Ibovespa negavitou em -0,67%
investimentos para cada objetivo de vida

As tensões comerciais entre China e Estados Unidos, que exploramos aqui, foram as principais responsáveis pelo desempenho ruim das aplicações em renda variável no mês. Vale lembrar que, no mês de abril deste ano, a B3 anunciou que o número de investidores cadastrados na Bolsa Brasileira atingiu a marca de 1 milhão de pessoas.

Ou seja…

Quem aderiu a fundos multimercados, fundos de ações ou qualquer outro investimento de risco em tempos recentes está agora vendo os resultados das suas aplicações piorarem em relação ao aquele “fundão DI” que tinha no banco. Contudo, quando avaliamos o desempenho das mesmas aplicações em 12 meses, o quadro é bem diferente.

Comparativo em 12 Meses com a Ibovesta tendo alta de 32,35%, a CDI tendo 6,28% e a Poupança com aumento de 4,55%. O Dólar muito discresto com 0,10% de aumento

O que pouca gente fala sobre investimentos de risco é que a variável tempo é a mais importante na hora de decidir se vale a pena ou não aplicar uma parte da sua poupança nestes produtos. Ao mudar seus investimentos para uma aplicação com oscilação, o prazo se torna importante. A regra de ouro aqui é a seguinte: vai precisar do dinheiro no curto prazo, NÃO INVISTA O SEU DINHEIRO EM ATIVOS COM VOLATILIDADE.

E se eu não tolerar nenhuma oscilação nos meus investimentos?

Aí as suas opções serão limitadas a aplicações de renda fixa pós fixada como CDB, poupança, tesouro SELIC, Letras de crédito imobiliário e/ou do agronegócio. Porém, neste caso, acostume-se com retornos bem baixos.

CDI X Poupança

Na comparação em 12 meses, a poupança teve desempenho de 4,55% e o CDI 6,28%. A taxa do CDI é o indexador do CDB, uma aplicação bem comum ao investidor típico de renda fixa. Descontando o imposto de renda de 15% (que só é atingido após 2 anos de aplicação), um CDB que remunera 100% da taxa DI (algo inacessível a maioria dos investidores de banco) teve, nos últimos 12 meses um retorno líquido de 5,34%.

Alerta de spoiler, não vai melhorar…

A taxa SELIC é o termômetro das aplicações de renda fixa pós fixada no Brasil. A regra aqui é simples, se os juros sobem, o retorno destas aplicações sobe, se os juros caírem, o retorno destas aplicações também cai. O ponto é que não há (pelo menos a curto prazo) razão para os juros subirem no Brasil. Os juros baixos nas economias mais desenvolvidas, o baixo crescimento econômico no Brasil e o mercado de trabalho ainda longe de melhorar criam um cenário de juros baixos por um looooooonngo tempo.
Conhecimento e planejamento, seu maior investimento.

Existem boas opções em renda fixa fora dos produtos de banco. O crowdfunding imobiliário é uma opção clara nestes tempos. Com ofertas que podem ultrapassar os 10% ao ano, quem quiser obter bons retornos em renda fixa vai ter que avaliar este tipo de ativo em seu portfólio. Ainda pouco conhecido do investidor médio, esta modalidade de investimentos tem tudo para crescer no Brasil nos próximos anos.

Mas por onde começar?

A grande questão é onde buscar tais produtos. Quem fizer as mesmas perguntas ou buscar informação nos mesmos canais, ficará preso a rentabilidades muito ruins nos próximos anos, e isso não deve mudar tão cedo.

Primeiramente, faça um investimento em conhecimento. A melhor forma de lidar com uma aplicação financeira é conhecendo seus fatores de risco. Além disso, faça um planejamento financeiro para entender quais são as suas necessidades de liquidez.

Ou seja, o dinheiro que você vai precisar no curto prazo, tem que ficar investido em aplicações mais liquidas, como a poupança. Já o dinheiro que você vai usar para trocar o carro daqui a dois anos, pode (NA VERDADE DEVE) ser investido de maneira mais inteligente.

Entenda…

Se você quer mais rentabilidade nas suas aplicações, você vai precisar aplicar uma parte do seu dinheiro em aplicações de risco tais como ações, fundos imobiliários entre outros.

Se você quer mais retorno na renda fixa, vai precisar buscar outras opções além dos produtos de agência bancária. Neste admirável mundo novo dos investimentos, o PRAZO DE RESGATE vai ditar o tipo de aplicação que você vai realizar para atingir seus objetivos financeiros.

Neste ponto, lembre-se disso…

RENTABILIDADE E PRAZO SÃO DIRETAMENTE PROPORCIONAIS.
E se você ainda tem dúvidas sobre como investir em tempos de juros baixos, estou a sua disposição.

Mário Pereira

Seu consultor de planejamento financeiro.

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